Grupo Gutaï- relação entre pintura e performance

O grupo Gutaï tem sua formação em 1954, dele participam Jirō Yoshihara, Sadamasa Motonaga, Shozo Shimamoto, Saburō Murakami, Katsuō Shiraga, Seichi Sato, Akira Ganayama e Atsuko Tanaka (uma das poucas mulheres do grupo). Eles fazem performances em constante diálogo com a pintura.

No contexto de pós-guerra japonês, o país que antes era fortemente tradicionalista foi obrigado a abrir-se culturalmente com a invasão do mercado capitalista, que dinamizou a vida cultural das pessoas. Muitos aspectos ruins são gerados neste processo, não obstante outras formas interessantes surgem. Com a entrada de bens de consumo e o direcionamento do mercado subserviente à lógica imperialista, também entra a literatura marginal de Jean Jenet, o cinema, escritos de Artaud, outras formas de teatro, dança e arte contemporânea. Esta dinamicidade gera um novo universo simbólico. O Gutaï experimentou formas de criar ações que pudessem refletir o contexto pós-guerra e as novas formas insurgentes de arte.  O performer Saburo Murakami atravessou séries de folhas de papel: o corpo rompe o suporte pictórico. Em algumas ações eles se jogam na tela com tinta de forma violenta; os corpos tombaram nas guerras, eles tombaram nas telas, impregnando-a com pigmento e energia.

Saburo Murakami- Grupo Gutaï

Saburo Murakami- Grupo Gutaï

“Entre os percursores das performances que veremos povoar a arte da década de 1960 em diante, veremos nomes como Shozo Shimamoto, reconhecido por suas experimentações de perfurações na tela que compõem a série denominada Works (Holes); Katsuō Shiraga, com suaspinturas realizadas a partir de movimentos de todo o seu corpo sobre a superfície da tela;  Saburo Murakami, com suas ações de atravessar as séries de superfícies de papel até a sua completa destruição; e Atsuko Tanaka, com seu quimono tecnológico (eletric dress).” (MELIM, 2009, p.12)

A relação entre performance e pintura não se dá apenas em referência ao suporte tradicional da tela ou o uso de tinta como pigmento. A ideia de gerar um artefato como resultado da pintura não é via de regra. O corpo pode ser suporte da pintura, assim como o espaço.

Shozo Shimamoto-Grupo Gutaï

Shozo Shimamoto-Grupo Gutaï

Atsuko Tanaka uma das ppoucas mulheres do-Grupo Gutaï

Atsuko Tanaka uma das poucas mulheres do-Grupo Gutaï

Katsuō Shiraga-Grupo Gutaï

Katsuō Shiraga-Grupo Gutaï

Referências

MELIM, Regina. Performance nas artes visuais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2009.

em português bastante resumido:

http://www.infopedia.pt/$grupo-gutai

em inglês:

http://www.guggenheim.org/new-york/exhibitions/on-view/gutai-splendid-playground

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Yves Klein- Antropometria

Yves Klein, em 1960, realizou a Antropometria, ação em que contratou algumas modelos que embeberam seus corpos em tinta azul para imprimirem-se em uma tela gigante esticada no chão. A ação foi feita com uma orquestra que tocava a Sinfonia monotônica composta pelo artista enquanto uma plateia assistia a pintura/performance. Os corpos delas foram utilizados como “pincéis vivos”, entrando no espaço pictórico com mais veemência. Por que Klein usa mulheres como pinceis vivos, pinceis como objetos passivos para execução de sua obra? É evidente a objetificação dos corpos de mulheres nesta obra: proposta por um homem branco  (que goza de um super privilégio social), executada por mulheres expostas como objetos de desejo para a platéia de homens a assistir o trabalho. O enquadramento do vídeo, a postura sensualizada das modelos e as manifestações de homens que se demostram boquiabertos configuram a ação como uma proposta sexista que parte de uma relação de poder hierarquizada.

É relevante olhar para os cânones históricos da arte e revisitá-los de outra forma, com outros olhares que permitam questionar alguns pressupostos naturalizados. Nem a beleza do azul e a sofisticação da orquestra servem para camuflar intencionalidade machista da proposta.