Francis Alÿs- Quando a fé move montanhas

Em algumas de suas performances Francis Alÿs utiliza o caminhar/deambular pela cidade como elemento poético de seus trabalhos. O tempo adquire outra qualidade de expressão, e ocupa um lugar de “inutilidade” dentro da lógica social que relaciona tempo com ganho de  dinheiro. A potência política da inutilidade é evidenciada quando o artista articula elementos simbólicos que se relacionam com o imaginário social do lugar onde ele executa os trabalhos, mas faz esta inserção com elementos que se deslocam de seu uso corrente, cotidiano. Um exemplo do uso de tempo para uma ação aparentemente absurda é na   proposição da performance Cuando la fe mueve montañas [Quando a fé move montanhas], de 2002, realizada em Lima, Peru.  Nesta ação Alÿs  convocou quinhentas pessoas para mover em dez centímetros uma duna de areia. As pessoas cavaram e cavaram em sincronia debaixo de sol quente até mover a duna de lugar. Como fica a comunidade depois de passar por uma experiência coletiva como esta? O que esta ação pode revelar? Organização política depende de afeto e desejo para que possamos mover as coisas, primeiramente dentro de nós, até que este dentro se transborde e a gente possa nos nossos  passos, dar passos que movam também o mundo. “Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar”.

Referências

comentários críticos sobre o trabalho de Alys:

http://bienalmercosul.siteprofissional.com/artista/230

Site oficial do artista com vídeos de suas performances:

http://www.francisalys.com/

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