Yves Klein- Antropometria

Yves Klein, em 1960, realizou a Antropometria, ação em que contratou algumas modelos que embeberam seus corpos em tinta azul para imprimirem-se em uma tela gigante esticada no chão. A ação foi feita com uma orquestra que tocava a Sinfonia monotônica composta pelo artista enquanto uma plateia assistia a pintura/performance. Os corpos delas foram utilizados como “pincéis vivos”, entrando no espaço pictórico com mais veemência. Por que Klein usa mulheres como pinceis vivos, pinceis como objetos passivos para execução de sua obra? É evidente a objetificação dos corpos de mulheres nesta obra: proposta por um homem branco  (que goza de um super privilégio social), executada por mulheres expostas como objetos de desejo para a platéia de homens a assistir o trabalho. O enquadramento do vídeo, a postura sensualizada das modelos e as manifestações de homens que se demostram boquiabertos configuram a ação como uma proposta sexista que parte de uma relação de poder hierarquizada.

É relevante olhar para os cânones históricos da arte e revisitá-los de outra forma, com outros olhares que permitam questionar alguns pressupostos naturalizados. Nem a beleza do azul e a sofisticação da orquestra servem para camuflar intencionalidade machista da proposta.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s