Grupo Gutaï- relação entre pintura e performance

O grupo Gutaï tem sua formação em 1954, dele participam Jirō Yoshihara, Sadamasa Motonaga, Shozo Shimamoto, Saburō Murakami, Katsuō Shiraga, Seichi Sato, Akira Ganayama e Atsuko Tanaka (uma das poucas mulheres do grupo). Eles fazem performances em constante diálogo com a pintura.

No contexto de pós-guerra japonês, o país que antes era fortemente tradicionalista foi obrigado a abrir-se culturalmente com a invasão do mercado capitalista, que dinamizou a vida cultural das pessoas. Muitos aspectos ruins são gerados neste processo, não obstante outras formas interessantes surgem. Com a entrada de bens de consumo e o direcionamento do mercado subserviente à lógica imperialista, também entra a literatura marginal de Jean Jenet, o cinema, escritos de Artaud, outras formas de teatro, dança e arte contemporânea. Esta dinamicidade gera um novo universo simbólico. O Gutaï experimentou formas de criar ações que pudessem refletir o contexto pós-guerra e as novas formas insurgentes de arte.  O performer Saburo Murakami atravessou séries de folhas de papel: o corpo rompe o suporte pictórico. Em algumas ações eles se jogam na tela com tinta de forma violenta; os corpos tombaram nas guerras, eles tombaram nas telas, impregnando-a com pigmento e energia.

Saburo Murakami- Grupo Gutaï

Saburo Murakami- Grupo Gutaï

“Entre os percursores das performances que veremos povoar a arte da década de 1960 em diante, veremos nomes como Shozo Shimamoto, reconhecido por suas experimentações de perfurações na tela que compõem a série denominada Works (Holes); Katsuō Shiraga, com suaspinturas realizadas a partir de movimentos de todo o seu corpo sobre a superfície da tela;  Saburo Murakami, com suas ações de atravessar as séries de superfícies de papel até a sua completa destruição; e Atsuko Tanaka, com seu quimono tecnológico (eletric dress).” (MELIM, 2009, p.12)

A relação entre performance e pintura não se dá apenas em referência ao suporte tradicional da tela ou o uso de tinta como pigmento. A ideia de gerar um artefato como resultado da pintura não é via de regra. O corpo pode ser suporte da pintura, assim como o espaço.

Shozo Shimamoto-Grupo Gutaï

Shozo Shimamoto-Grupo Gutaï

Atsuko Tanaka uma das ppoucas mulheres do-Grupo Gutaï

Atsuko Tanaka uma das poucas mulheres do-Grupo Gutaï

Katsuō Shiraga-Grupo Gutaï

Katsuō Shiraga-Grupo Gutaï

Referências

MELIM, Regina. Performance nas artes visuais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2009.

em português bastante resumido:

http://www.infopedia.pt/$grupo-gutai

em inglês:

http://www.guggenheim.org/new-york/exhibitions/on-view/gutai-splendid-playground

Anúncios

Mostra OSSO Latino Americana de Performance-2013

II Mola Osso-Mostra Latino Americana de Performance

II Mola Osso-Mostra Latino Americana de Performance

O corpo informa enquanto a boca cala, a ossatura é feita de fibras e tecidos e a política nada mais é que afeto”. OSSO Coletivo de Performance.

 A II MOLA – Mostra OSSO Latino-americana de Performances – aporta na Costa do Descobrimento entre os dias 10 e 20 de março. A bordo, performáticos e pesquisadores da linguagem da performance art de diversos países latino-americanos ávidos em (re) descobrir a região tombada pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – como patrimônio histórico brasileiro e dotada de extraordinária riqueza natural. Elaboradas a partir do contato dos artistas com a realidade local, as performances serão apresentadas em diversos espaços públicos de Arraial D`Ajuda e Trancoso, distritos do município turístico de Porto Seguro. Debates sobre temas relacionados a performance em espaços públicos, a cena independente na América Latina, também estão incluídos na programação da II MOLA, realizada pelo OSSO Coletivo de Performance e viabilizado pelo edital setorial de artes visuais da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Artistas:

Aníbal Sandoval (Chile) 

Diana Daf (Peru) 

George Sander (São Paulo-Brasil) 

Juan Montelpare (Equador) 

 Laís Guedes (Bahia-Brasil)

 Lucas Moreira (Bahia-Brasil) 

Luis Eduardo Martínez (Argentina)

Mariana Picart Motuzas (Uruguai)

Maria Eugênia Matricardi (Distrito Federal-Brasil)

Sara Panamby (São Paulo-Brasil) 

Thiago Sant`Ana (Bahia-Brasil)

Tzitzi Barrantes (Colômbia) 

 Curadoria:Bia de Medeiros; Rose Boaretto; Santiago Cao

 

Já está rolando a Agenda Cultural da Bahia do mês de março. E o destaque do setor de Artes Visuais é a MOLA. OSSOs ao mar!!!


Disponível em: http://www.agendacultural.ba.gov.br/wp-content/uploads/2013/03/agenda-mar2013.pdf

http://mola2013.blogspot.com.br/ — com Osso Performances Urbanas.

Yves Klein- Antropometria

Yves Klein, em 1960, realizou a Antropometria, ação em que contratou algumas modelos que embeberam seus corpos em tinta azul para imprimirem-se em uma tela gigante esticada no chão. A ação foi feita com uma orquestra que tocava a Sinfonia monotônica composta pelo artista enquanto uma plateia assistia a pintura/performance. Os corpos delas foram utilizados como “pincéis vivos”, entrando no espaço pictórico com mais veemência. Por que Klein usa mulheres como pinceis vivos, pinceis como objetos passivos para execução de sua obra? É evidente a objetificação dos corpos de mulheres nesta obra: proposta por um homem branco  (que goza de um super privilégio social), executada por mulheres expostas como objetos de desejo para a platéia de homens a assistir o trabalho. O enquadramento do vídeo, a postura sensualizada das modelos e as manifestações de homens que se demostram boquiabertos configuram a ação como uma proposta sexista que parte de uma relação de poder hierarquizada.

É relevante olhar para os cânones históricos da arte e revisitá-los de outra forma, com outros olhares que permitam questionar alguns pressupostos naturalizados. Nem a beleza do azul e a sofisticação da orquestra servem para camuflar intencionalidade machista da proposta.

Teching Hisieh- A radicalidade permeia o tempo

Tehching Hsieh propôs programas de performance radicais que tiveram duração de um ano. A relação promove a simultaneidade entre arte e vida, ou ainda a sua indiferenciação. Na primeira, Performance de um ano, ele inicia seu trabalho em 30 de setembro de 1978, fica em regime de confinamento extremo, onde permanece dentro de uma cela construída no interior de seu estúdio, permitindo algumas vezes da semana a visitação do público. Em um estatuto assinado pelo artista, ele define o que deve e não deve fazer. Nas proibições autoinfligidas constam: não poder ler, escrever, escutar música, conversar ou assistir televisão. Ele deve receber comida e roupas limpas de um amigo contratado para que não morra de inanição. Todo o processo é documentado por via de fotos. Ele sai em 29 de setembro de 1979.

One year performance-1978-1979

One year performance-1978-1979

Em sua segunda performance, de 1980 a 1981, Hsieh se veste com uniforme operário, raspa a cabeça e bate o cartão de ponto em uma máquina regularmente de 1 em 1 hora. Justifica caso haja algum atraso. As fotografias evidenciam a passagem do tempo no crescimento do seu cabelo e desgaste físico.

One year performacne-1980 a 1981

One year performacne-1980 a 1981

Na terceira Performance de um ano ele deveria estar apenas em lugares abertos, ao ar livre, sem poder estar dentro de nenhum ambiente coberto. Ele não poderia estar em um avião, navio, caverna, subterrâneo ou tenda. Poderia ter somente um saco de dormir. A performance foi realizada de 26 de setembro de 1981 a 26 de setembro de 1982.

One yar performance-1981 a 1982

One yar performance-1981 a 1982

Na quarta performance, Hsieh e Linda Montano permanecem amarrados pela cintura com uma corda, sendo que deveriam ficar juntos sem poder desatar o nó. Quando um está dentro de um lugar, o outro deve permanecer dentro também. Completa ausência de privacidade. A duração foi de 4 de julho de 1983 a 4 de julho de 1984.

One year performance-1983 a 1984

One year performance-1983 a 1984

Na quinta performance ele não pôde falar, ver ou escrever sobre arte, tampouco ir em alguma galeria ou museu por um ano. De julho de 1985 a julho de 1986.

One year performance -1985 a 1986

One year performance -1985 a 1986

A última performance de Hsieh se dá com um programa de 13 anos, na qual, em seu aniversário de 36 anos, ele afirma que produzirá arte durante todo esse tempo e não poderá publicizá-la de nenhuma forma. Ele pôde divulgar seus trabalhos somente depois de seu aniversário de 49 anos. Esse programa foi realizado de 1986 a 1999.

Teching Hsieh- 1986 a 1999

Teching Hsieh- 1986 a 1999

Insistir no gesto é revelar a obsessão que permeia nosso modo de vida absurdo. O corpo, no caso de Hsieh, mergulha nas constrições promovidas por questões inevitáveis: regime de trabalho sacrificante, cárcere social na ideia de segurança de um lugar “dentro” e cárcere na privação que o “fora” sugere. O fardo de estar obrigado a viver amarrado à outra pessoa lembra a instituição do casamento, ou a obrigação do convívio em outros aspectos. Produzir arte. Não produzir arte. Tudo isto delimitado por contrato na burocracia cotidiana. O tempo não se diferencia da vida. O tempo faz arte.

Referências

Site oficial de Tehchin Hsieh:

http://www.one-year-performance.com/

notícia sobre a apresentação de artistas que compuseram a 30° bienal de SP:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1146324-veja-a-lista-completa-dos-artistas-que-se-apresentam-na-bienal.shtml

Ricardo Alvarenga- Hominidae

Para entrar em estado de árvore é preciso partir de
um torpor animal de lagarto às três horas da tarde,
no mês de agosto.
Em dois anos a inércia e o mato vão crescer em
nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até o mato
sair na voz.

Manuel de Barros-Livro das Ignorãnças- poema n° IX

 

Na performance Hominidae, feita a partir de 2009, Ricardo Alvarenga faz a ocupação de árvores localizadas em centros urbanos. Ele sobe na árvore e por lá permanece cerca de 8h, promovendo estranhamento e curiosidade nos transeuntes. Quando alguém lhe pergunta alguma coisa o performer permanece em silêncio, criando uma zona micropolítica inaudita. Esse trabalho já foi realizado em diversas cidades do Brasil, como em Natal, Curitiba, São Paulo e Uberlândia. Outra experimentação que Alvarenga fez, relacionada a este trabalho foi a realização do mesmo em uma residência artística- Terra Una, na qual ocupou uma árvore na Serra da Mantiqueira, desta vez sem o con-tato e atrito com o público das grandes cidades.

foto: Maria Teresa Ponce Serra da Mantiqueira-MG

foto: Maria Teresa Ponce
Serra da Mantiqueira-MG

foto: Maria Teresa Ponce Serra da Mantiqueira-MG

foto: Maria Teresa Ponce
Serra da Mantiqueira-MG

Referência

Blog oficial do artista com seus trabalhos e textos:

http://ricardo-alvarenga.blogspot.com.br/

Francis Alÿs- Quando a fé move montanhas

Em algumas de suas performances Francis Alÿs utiliza o caminhar/deambular pela cidade como elemento poético de seus trabalhos. O tempo adquire outra qualidade de expressão, e ocupa um lugar de “inutilidade” dentro da lógica social que relaciona tempo com ganho de  dinheiro. A potência política da inutilidade é evidenciada quando o artista articula elementos simbólicos que se relacionam com o imaginário social do lugar onde ele executa os trabalhos, mas faz esta inserção com elementos que se deslocam de seu uso corrente, cotidiano. Um exemplo do uso de tempo para uma ação aparentemente absurda é na   proposição da performance Cuando la fe mueve montañas [Quando a fé move montanhas], de 2002, realizada em Lima, Peru.  Nesta ação Alÿs  convocou quinhentas pessoas para mover em dez centímetros uma duna de areia. As pessoas cavaram e cavaram em sincronia debaixo de sol quente até mover a duna de lugar. Como fica a comunidade depois de passar por uma experiência coletiva como esta? O que esta ação pode revelar? Organização política depende de afeto e desejo para que possamos mover as coisas, primeiramente dentro de nós, até que este dentro se transborde e a gente possa nos nossos  passos, dar passos que movam também o mundo. “Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar”.

Referências

comentários críticos sobre o trabalho de Alys:

http://bienalmercosul.siteprofissional.com/artista/230

Site oficial do artista com vídeos de suas performances:

http://www.francisalys.com/

Francis Alÿs- Paradoxo da prática (às vezes fazer algo não leva a nada)

Na performance o paradoxo da prática (às vezes fazer algo leva a nada), realizada em 1997, Francis Alÿs empurra pelas ruas da Cidade do México um bloco de gelo até derretê-lo por completo. Esta é uma ação simples, absurda, plena de desassossego. Afinal de contas, o que faz um homem com roupa simples e despojada empurrando uma pedra de gelo por quilômetros pelas ruas quentes do centro de uma das cidades mais populosas do mundo? Nada? Acaso empurraria ele questões filosóficas? O que faz a utilidade exigida socialmente derreter-se pelo asfalto? Pode ser que ele seja alguém que se dá tempo para fazer o inútil, exercendo uma vontade desvinculada da sua força de trabalho, direcionada para o consumo de bens e serviços. Ele se propõe a executar um desejo singular, que ecoa pelas necessidades inauditas, que faz a diferença consistir. O que seria mais político que o questionamento do uso do tempo? Tempo é diferente de vida?

 

Referências

Site oficial de Francis Alÿs com vídeos de suas performances:

http://www.francisalys.com/

comentário crítico acerca do trabalho de Francis Alÿs:

http://bienalmercosul.siteprofissional.com/artista/230

Programação do evento Performance,Corpo, Política 2013- Brasília

PROGRAMAÇÃO PERFORMANCE CORPO POLÍTICA de 2013

22/04 – 2ª feira

Chegada de convidados

9h -14h

14h -18h.

Oficina 1- Performance e tecnologia.Luara Learth e Diego Azambuja

 

23/04 – 3ª feira

9h – 12h.

Oficina 2-Videoarte e web-arte. Márcio Mota e Jackson Marinho

14h -18h.

Oficina 1- Performance e tecnologia.Luara Learth e Diego Azambuja

 

24/04 – 4ª feira

9h – 12h.

Oficina 2-Videoarte e web-arte. Márcio Mota e Jackson Marinho

14h -18h.

Oficina 1- Performance e tecnologia.Luara Learth e Diego Azambuja

 

25/04 -5ª feira

9h-11h .

Abertura oficial. Diego Azambuja,  Bia Medeiros, e Fernando Villar. Tema: Conceito de arte da performance como arte em rede.

11h-12h.

Palestra Bodearte: histórico e performances do nordeste. COLETIVO ES3

14h -16h.

Mesa 1: Tema: Performances, redes e outras políticas. Pâmela Guimarães, Malu Fragoso (UFRJ, Rio), Lilian Amaral(Unesp,SP) e Maria Thereza Azevedo (UFMT, MT).

16h -18h.

Mesa 2: Tema: Performances, redes e espaço urbano. Márcio Shimabukuro (SP-MG), Fernando Ribeiro (PR), representante Grupo FILÉ DE PEIXE (RJ). Debatedora:  Larissa Ferreira (DF).

Performances de rua

 18h.

Zmário (BA)

19h.

Mariana Brites (DF)

 

Mostra de rua: videoperformances. Adriana Varella, Angela Freiberger, Ciane Fernandes, Corpos Informáticos, Coletivo Opavivará, Dirceu Maués, Ignácio Pérez Pérez, Jorge Schutze, Luciana Paiva, Marcelo Gandhi, Orlando Manescky, Paulo Veja, Lilian Amaral.. 

Local: Casa de Cultura da América Latina

SCS Quadra 04, Ed. Anápolis, 1º andar, sala 103 , Brasília 
Distrito Federal , 70.304-910

19h -22h.

 

Charivari dos Garis. Curadoria coletiva, montagem e exposição com artistas : Bia Medeiros, Camila Soato, Cecília Mori, Fernando Aquino, Julia Milward, Moisés Crivelaro, Marcio Mota, Maria Eugênia Matricardi, Mateus de Carvalho Costa Moisés Crivelaro, Naura Timm, Polyanna Morgana, Renato Rios, Rodrigo Cruz.

Local: Casa de Cultura da América Latina

SCS Quadra 04, Ed. Anápolis, 1º andar, sala 103 , Brasília 
Distrito Federal , 70.304-910

19h -22h.

 

 26/04- 6ª feira

9h- 11h.

Mesa 3- Tema: Relações de poder e performance. Ines Linke ( MG),Zmário (BA), Grupo Empreza (responsável: Thiago Lemos, GO). Debatedor: Maria Eugênia Matricardi

11h- 12h. 

Performance de rua: Resultado da Oficina 1

14h -16h.

Mesa 4Open Space. Debatedora: Natasha de Albuquerque

 

Performances de rua.

16h.

Maria Eugênia Matricardi (DF)

Local: área externa do Museu da República

 17h.

Maria Thereza Azevedo (MT)

Local: Rodoviária do Plano Piloto

18h.

Luara Learth (DF)

Local: Rodoviária do Plano Piloto

19h.

Coletivo ES3 (RN) 

Local: Rodoviária do Plano Piloto

19h -22h.

 

 

 

Beatriz Provasi (RJ)

19-22h

Local: Galeria de bolso da CAL.

 

 

Mostra de rua: videoperformances. Adriana Varella, Angela Freiberger, Ciane Fernandes, Corpos Informáticos, Coletivo Opavivará, Dirceu Maués, Ignácio Pérez Pérez, Jorge Schutze, Luciana Paiva, Marcelo Gandhi, Orlando Manescky, Paulo Vega, Lilian Amaral. 

Local: Casa de Cultura da América Latina

SCS Quadra 04, Ed. Anápolis, 1º andar, sala 103 , Brasília 
Distrito Federal , 70.304-910

19h -22h.

 

Charivari dos Garis. Curadoria coletiva, montagem e exposição com artistas : Bia Medeiros, Camila Soato, Cecília Mori, Fernando Aquino, Julia Milward, Moisés Crivelaro, Marcio Mota, Maria Eugênia Matricardi, Mateus de Carvalho Costa, Moisés Crivelaro, Naura Timm, Polyanna Morgana, Renato Rios, Rodrigo Cruz.

Local: Casa de Cultura da América Latina

SCS Quadra 04, Ed. Anápolis, 1º andar, sala 103 , Brasília 
Distrito Federal , 70.304-910

 

27/04- Sábado

9h. 

Performances de rua

Grupo Empreza (GO)

Local: Rodoviária do Plano Piloto

10h.

Ines Linke (MG)

Local: Rodoviária do Plano Piloto

11h. 

TUDOJUNTO (Todos os participantes)

Local: Rodoviária do Plano Piloto

12h .

Natasha Albuquerque (DF)

Local: CONIC

14h.

 

 

Shima (SP-MG)

Local: Plano Piloto

15h. 

Malu Fragoso (RJ) e Edgar Mesquita de Oliva (RJ)

Local: Plano Piloto

16h.

Fernando Ribeiro (PR)

Local: Plano Piloto

17hs.

 Open Space. Debatedor: Adauto Soares

 18h-19h.

Mostra do resultado da Oficina 2

19-22h.

Vernissagem +Festa de encerramento

Performance Obs.: cênicas (DF)

 

performance Luto de Maicyra Leão realizada no Performance, corpo, política e tecnologia de 2010.

 

 

Lips of Thomas- Marina Abramović

tumblr_mckiml8yAW1r391i8o1_500tumblr_mckiml8yAW1r391i8o2_500Abramovic_7_BigimagesLips of  Thomas (Lábios de Thomas)

Performance

Vagarosamente como 1 quilo de mel com uma colher de prata

Vagarosamente bebo um litro de vinho em uma taça de cristal

Quebro a taça com a mão direita

Usando uma lâmina, entalho uma estrela de cinco pontas no meu abdômen

Me açoito violentamente até não mais sentir dor

Deito-me em uma cruz de blocos de gelo

O calor de um aquecedor suspenso apontado para o meu abdômen provoca o sangramento da estrela entalhada

O resto do meu corpo começa a congelar

Permaneço na cruz de gelo durante 30 minutos até que o público interrompe a performance ao remover os blocos de gelo que servem de apoio ao meu corpo

duração: 2 horas

1975

Galerie Krinzinger, Innsbruck

Os elementos utilizados nesta performance têm referência autobiográfica da artista. A estrela entalhada em seu abdômen ter relação com a resistência dos insurgentes da segunda guerra, o que tece uma referência direta ao seu pai. Ela come 1 quilo de mel, ingere 1 litro de vinho, entralha uma estrela com lâmina em seu corpo e a cada corte ela imprime seu sangue em uma bandeira branca acendo-a ao som de uma canção russa, o que a deixa comovida fazendo-a chorar. Marina executa este trabalho pela primeira vez com 29 anos  na Galerie Krinzinger, depois o reapresenta no MoMa-NY na exposição Seven Easy Peaces (Sete peças “fáceis). Extremos de temperatura entre o calor e a hipotermia, a exaustão física e o limite do corpo pra além da dor. A performance terminou com o público retirando o corpo da performer de cima dos blocos de gelo e cobrindo-a com casacos. Não foi a primeira nem a última vez que houve a necessidade da intervenção da audiência para que ela não morresse durante um trabalho.

Referências:

áudio em inglês: http://www.moma.org/explore/multimedia/audios/190/2000

Catálogo Galeria Luciana Brito. Back to Simplicity. Marina Abramovic. 2010. p.45-56

Marina Abramović-Manifesto sobre a vida do artista

1  a conduta de vida do artista:

-O artista nunca deve mentir a si próprio ou aos outros

-O artista não deve roubar ideia de outros artistas

-Os artistas não devem comprometer seu próprio nome ou comprometer-se com o mercado de arte

-O artista não deve matar outros seres humanos

-Os artistas não devem se transformar em ídolos

-Os artistas não devem se transformar em ídolos

2 a relação entre o artista e sua vida amorosa:

-O artista deve evitar se apaixonar por outro artista

-O artista deve evitar se apaixonar pó outro artista

-O artista deve evitar se apaixonar pó outro artista

3 a relação entre o artista e o erotismo:

-O artista deve ter uma visão erótica do mundo

-O artista deve ter erotismo

-O artista deve ter erotismo

-O artista deve ter erotismo

4 a relação entre artista e sofrimento:

– O artista deve sofrer

-O sofrimento cria as melhores obras

-O sofrimento traz a transformação

-O sofrimento leva o artista a transcender seu espírito

-O sofrimento leva o artista a transcender seu espírito

5 a relação entre o artista e a depressão:

-O artista nunca deve estar deprimido

-A depressão é uma doença e deve ser curada

-A depressão não é produtiva para os artistas

-A depressão não é produtiva para os artistas

-A depressão não é produtiva para os artistas

6 a relação entre o artista e o suicídio:

-O suicídio é um crime contra a vida

-O artista não deve cometer suicídio

-O artista não deve cometer suicídio

-O artista não deve cometer suicídio

7 a relação entre o artista e a inspiração:

-Os artistas devem procurar a inspiração em seu âmago

-Quanto mais se aprofundarem em seu âmago, mais universais serão

-O artista é um universo

-O artista é um universo

-O artista é um universo

8 a relação entre o artista e o autocontrole:

– O artista não deve ter autocontrole em sua vida

-O artista deve ter autocontrole total em relação a sua obra

-O artista não deve ter autocontrole em sua vida

-O artista deve ter autocontrole total em relação a sua obra

9 a relação entre o artista e a transparência:

– O artista deve doar e receber ao mesmo tempo

-Transparência significa receptividade

-Transparência significa doar

-Transparência significa receber

-Transparência significa receptividade

-Transparência significa doar

-Transparência significa receber

-Transparência significa receptividade

-Transparência significa doar

-Transparência significa receber

10 a relação entre o artista e os símbolos:

– O artista crias seus próprios símbolos

-Os símbolos são a língua do artista

-E a língua tem que ser traduzida

-Às vezes, é difícil encontrar a palavra chave

-Às vezes, é difícil encontrar a palavra chave

-Às vezes, é difícil encontrar a palavra chave

11 a relação com o silêncio:

-O artista deve compreender o silêncio

-O artista deve criar um espaço para que o silêncio adentre a sua obra

-O silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

-O silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

-O silêncio é como uma ilha no meio de um oceano turbulento

12 a relação entre o artista o artista e a solidão:

-O artista deve reservar para si longos períodos de solidão

-A solidão é extremamente importante

-Longe de casa

-longe da família

-Longe dos amigos

-O artista deve passar longos períodos perto das cachoeiras

-O artista deve passar longos períodos perto dos vulcões em erupção

-O artista deve passar longos períodos olhando as corredeiras dos rios

-O artista deve passar longos períodos contemplando a linha do horizonte onde o oceano e o céu se encontram

-O artista deve passar longos períodos de tempo admirando as estelas no céu da noite

13 a conduta do artista com relação ao seu trabalho:

-O artista deve evitar ir para o seu ateliê todos os dias

-O artista não deve cosniderar seu horário de trabalho como o de um funcionário de um banco

-O artista deve explorar a vida, e trabalhar apenas quando uma ideia se revela no sonho, ou durante o dia, como uma visão que irrompe uma surpresa

– O artista não deve se repetir

-O artista não deve produzir em demasia

-O artista deve evitar poluir sua própria arte

-O artista deve evitar poluir sua própria arte

-O artista deve evitar poluir sua própria arte

14 as posses do artista:

Os monges budistas entendem que o ideal na vida é possuir nove objetos:

1 roupão para o verão

1 roupão para o inverno

1 par de sapatos

1 pequena tigela para pedir alimentos

1 tela de proteção contra insetos

1 livro de orações

1 guarda-chuva

-1 colchonete para dormir

1 par de óculos se necessário

– O artista deve tomar sua própria decisão sobre os objetos pessoais que deve ter

– O artista deve, cada vez mais, ter menos

– O artista deve, cada vez mais, ter menos

– O artista deve, cada vez mais, ter menos

15 a lista de amigos do artista:

-O artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

-O artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

-O artista deve ter amigos que elevem seu estado de espírito

16 os inimigos do artista:

– Os inimigos são muito importantes

-O Dalai Lama afirmou que é fácil ter compaixão pelos amigos; porém, muito mais difícil ter compaixão pelos inimigos

-O artista deve aprender a perdoar

-O artista deve aprender a perdoar

-O artista deve aprender a perdoar

17 a morte e seus diferentes contextos:

– O artista deve ter consciência de sua mortalidade

-Para o artista, como viver é tão importante quanto morrer

-O artista deve morrer conscientemente e sem medo

-O artista deve morrer conscientemente e sem medo

-O artista deve morrer conscientemente e sem medo

18 o funeral e seus diferentes contextos:

– O artista deve deixar as instruções para o seu próprio funeral, para que tudo seja feito segundo a sua vontade

– O funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida

-O funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida

-O funeral é a última obra de arte do artista antes de sua partida

Imagem

 

Referência:

Catálogo da galeria Luciana Brito. Back to simplicity. Marina Abramovic.2010 p.1-5.