Marina Abramović- Rythm 0

Marina Abramović nasceu na Iugoslávia em 1946. Ela começa a fazer performances a partir década de 1970, e segue produzindo  até hoje. Uma das características marcantes em seus trabalhos é a exploração dos limites psico-físicos do corpo.

Até onde o corpo pode chegar?

Em Rythm 0, performace de 1974, Abramović colocou seu corpo à disposição do ‘outro’,  testando os limites da relação de seu corpo em performance com a audiência. Ela dispôs 72 objetos em cima de uma mesa, dentre eles, algumas fotografias, tesouras, penas e uma pistola carregada. As pessoas presentes tinham a escolha de fazer-lhe carícias ou  colocarem seu sadismo em prática . Por fim, a performer  apontou a arma para si mesma afim de cessar as ações do público sobre ela.

rhythm 0  1972

 

 

Em uma conversa  com o curador Hans Ulrich Obrist, a artista fala do seu trabalho:

Hans Ulrich Obrist : Mas, em sua essência, todas [as obras] estão relacionadas ao perigo? A extremos?

Marina Abramović: Sim, estes são exatamente os meus interesses. Interesso-me pela arte que perturba e que estimula o momento do perigo. ( DANTO,2010, p.47.)

A arte, portanto, pode ser uma via de distúrbios que revela mudanças culturais profundas e estimula outras maneiras de “ser” e de “fazer” as coisas.

 

Referências

Catálogo da galeria Luciana Brito: Back to Simplicity. Marina Abramović. São Paulo, 2010.

DANTO, Arthur C. Perigo e perturbação: A arte de Marina Abramović .Catálogo da galeria Luciana Brito: Back to Simplicity. São Paulo, 2010. pg.46-61.

Sítios:

http://marinafilm.com/

http://en.wikipedia.org/wiki/Marina_Abramovi%C4%87

http://www.moma.org/explore/multimedia/audios/190/2000

http://bravonline.abril.com.br/materia/hans-ulrich-obrist-todo-poderoso

 

 

 

 

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Encerando a chuva

Corpos Informáticos usam enceradeiras vermelhas, quebradas, obsoletas, uso fora de uso; tiram o brilho, não fazem reluzir.  O jogo é reinventar um objeto, tirá-lo de seu uso cotidiano comum, trazê-lo de volta como se este fosse uma poesia de Manoel de Barros. É a potência do desuso, e com ela brincamos na chuva para celebrar a vida depois da seca.

 

Encerando a chuva,  2011. Museuda República, Brasília.

Nos limites risíveis da representação

Luara Learth apresenta esta ação no evento Performance, cidade, corpo, política, realizado na UnB em 2012. Com pequenas velas de aniversário ela  demarca o espaço colocando-as na parede. Depois, ela abre uma garrafa de pinga e se embriaga completamente: é nesse estado, de busca pelo ridículo, quando já não se pode medir mais o uso das palavras, onde se esvai o bem-senso, que ela deixa dúvidas entre o limite da apresentação e da representação. Alguns objetos de criança com referências pessoais contadas são chamados de “ebózinhos”. Ela é atriz, deixa isso evidente desde o início com o humor que revela o seu desconforto para fazer performance. Luara brinca, distribui pinças para que as pessoas a ajudem a fazer um caminho de pentelhos na parede. A fuleragem é isso, ri de si mesma sem medo do ridículo. É preciso ter coragem para assumir o humor em meio à sisudez da arte contemporânea.

 

Fuleragem: pulando corda

Diego Azambuja, membro do Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos,  pulando corda nas margens do Lago Paranoá.

“Nossos ‘quadros vivos’ oscilam entre a sensualidade, a nudez e a brincadeira. Também pulam corda pelados e se divertem vendo o pinto e os peitos subindo e descendo em câmera lenta. Esta nudez não é ‘cadavérica’ nem se esconde na ‘quermesse de vômitos’. Ela acontece em plena luz do dia, no leito do lago ou no prédio da CAPES*, em Brasília” (AQUINO E MEDEIROS, p.47)

*CAPES: Coordenação de aperfeiçoamento pessoal de nível superior.

Fuleragem de 2011.

Fuleragem

Fuleragem

Alguns artistas e grupos performáticos não se sentem contemplados pelo uso do conceito de performance, que, por mais escorregadio que seja, tem sido amplamente divulgado principalmente nos meios artísticos e acadêmicos com certa inclinação a  definir esta linguagem. Esta questão é percebida quando não se fala em linguagem consensual, mas se pode apontá-la, então a instituição da performance não é vista, mas já está introjetada.

A fuleragem é um conceito criado Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos (GPCI) que existe há mais de vinte anos e é coordenado pela Prof. Dra. Maria Beatriz de Medeiros na Universidade de Brasília. Em sua formação atual o GPCI conta com: Diego Azambuja, Camila Soato, Fernando Aquino, Mariana Brites, Maria Eugênia Matricardi, Mateus Carvalho, Natasha Albuquerque, Márcio Mota, Jackson Marinho e Fabrício.

O conceito de fuleragem não busca definição exata. Este converge com a indisciplina da linguagem performática, no entanto, despreza a estratificação de um conceito sedentário e acadêmico, prefere à precariedade, a gambiarra, o nomadismo vagabundo que transita, trai e contamina. Política lúdica que se faz além do discurso. Esta visa romper os limites do corpo na brincadeira, na percepção de mundo da criança nietzschiana que cria para si novos conteúdos simbólicos, inventa outros conceitos a fim de reinterpretar o mundo com um olhar fresco, revigorado por sua própria lógica de sensações. O corpo cria outras qualidades de pensamento, para isso é melhor estar com as mãos sujas de terra e boca lambuzada de manga.

“A performance não precisa ameaçar: sendo lenta, pouca, gerando imprevisível, ela possui forte manancial para deslocar membros e     membranas. Corpos Informáticos se interessa por esta delícia: expectativa. Fazer aguardar regando lentamente o desejo e penetrar, com os poros sugando o vento, com as narinas perseguindo o movimento.” (MEDEIROS e AQUINO, 2011, Pg.47).

fulerage-21

Referências:

AQUINO, Fernando; MEDEIROS, Maria Beatriz de (org.). Corpos Informáticos. Performance, corpo, política. Brasília, Editora PPG/Arte, 2011.

http://www.corpos.org/

http://corpos.blogspot.com.br/

http://www.performancecorpopolitica.net/

http://www.mar-iasemver-gonha.net/